Hollow Knight e Blasphemous: Como o Sofrimento Conecta Seus Mundos Distintos
Descubra como Hollow Knight e Blasphemous, apesar de serem jogos distintos, compartilham temas profundos sobre sofrimento, redenção e o impacto do vício e da fé.
GAMESDESTAQUE
11/27/20255 min ler


Embora Hollow Knight e Blasphemous sejam jogos de estilos diferentes, a conexão entre eles é mais forte do que parece à primeira vista. Ambos pertencem ao gênero Metroidvania, com mundos interconectados e repletos de desafios, mas o que realmente os une são seus temas centrais: o sofrimento humano, a culpa, a morte e a busca por redenção. Em ambos os jogos, o jogador navega por cenários sombrios e desolados, lutando contra inimigos que, muitas vezes, são apenas reflexos de dores existenciais mais profundas.
Apesar de suas raízes culturais e estéticas distintas — Hollow Knight com sua influência de fábulas e mitologia, e Blasphemous com uma abordagem fortemente enraizada no catolicismo e no misticismo espanhol — ambos compartilham um senso de desesperança, luta interna e a busca por algo além da simples sobrevivência.


A Jornada do Sofrimento: Hollow Knight e a Perda de Identidade
Em Hollow Knight, o protagonista, o Cavaleiro, adentra o mundo decadente de Hallownest, um reino dominado pela praga e pela perda de memória. O sofrimento não é apenas físico, mas também mental e emocional, à medida que o Cavaleiro tenta entender sua própria identidade e o propósito de sua existência. A cidade está em ruínas, os habitantes transformados em sombras de si mesmos, e tudo no ambiente reflete um profundo vazio existencial.
O sofrimento em Hollow Knight é, na maioria das vezes, uma consequência do isolamento e da falta de entendimento. Não é um sofrimento que se manifesta diretamente nas interações com os personagens, mas é sentido em cada pedaço do mundo: na música melancólica, na arquitetura decadente e na ausência de respostas claras. O Cavaleiro não é um herói tradicional, mas uma figura errante, buscando seu lugar em um mundo que perdeu seu sentido.


Blasphemous: A Dor, a Fé e a Redenção em Cada Passo
Já em Blasphemous, o sofrimento é mais explícito e ligado a questões de fé, culpa e sacrifício. O protagonista, conhecido como "O Penitente", percorre a terra de Cvstodia, uma região devastada por uma maldição religiosa chamada "O Milagre". O jogo explora temas de pecado, penitência e a busca por absolvição, e o sofrimento aqui é muitas vezes físico, com personagens que enfrentam punições extremas por suas transgressões. A dor é uma constante, tanto para o Penitente quanto para os habitantes de Cvstodia, que carregam os fardos de sua devoção excessiva e distorcida.
A estética do jogo, que mistura elementos grotescos de arte sacra com o design de personagens torturados, cria uma atmosfera onde o sofrimento não é apenas uma experiência pessoal, mas uma condenação coletiva. O Penitente carrega a dor de todos em sua jornada, refletindo a própria luta contra os demônios internos que tentam destruir sua fé e sua humanidade.


Conexões Temáticas: Sofrimento, Culpa e Redenção
O que realmente une Hollow Knight e Blasphemous é o tema do sofrimento humano e a busca pela redenção. Em Hollow Knight, a luta é interna: o Cavaleiro busca entender sua própria identidade e as origens de sua existência em um mundo que parece estar além da salvação. Há uma sensação de fatalismo, onde os jogadores não sabem se o que estão fazendo realmente terá algum impacto na restauração de Hallownest.
Em Blasphemous, o sofrimento é mais concreto e diretamente ligado ao pecado e à culpa. O Penitente enfrenta uma jornada onde a redenção não está apenas em salvar o mundo, mas em se purificar da dor imposta por sua própria sociedade. A fé é uma faca de dois gumes: oferece a possibilidade de salvação, mas também a condenação de uma vida cheia de arrependimento e sacrifício.
Ambos os jogos exploram a ideia de um ciclo de dor e a impossibilidade de se escapar dele. Em Hollow Knight, os personagens são prisioneiros de seus próprios erros e falhas, enquanto em Blasphemous, o ciclo de culpa e penitência parece interminável. O que os dois jogos sugerem é que a redenção não vem facilmente — ela exige sacrifícios, e a dor é inevitável no caminho para encontrar alguma forma de paz.


A Estética do Sofrimento: O Impacto Visual e Narrativo
Ambos os jogos têm uma abordagem visual que enfatiza a dor e a decadência. Hollow Knight, com sua arte delicada e sombria, utiliza uma paleta de cores frias e sombras imersivas para criar uma sensação de isolamento e tristeza. A beleza do jogo está na sua melancolia, e isso é transmitido por sua arte e trilha sonora, que evocam um sentimento de perda e desesperança.
Por outro lado, Blasphemous faz uso de um estilo visual mais explícito e grotesco, com referências claras à iconografia religiosa e sacrificial. Cada inimigo, chefe e personagem do jogo parece carregar marcas de sofrimento, seja em sua aparência física ou em suas ações. O jogo se utiliza de uma arte baseada em pixels que lembra as pinturas sacras medievais, criando uma atmosfera de pecado e penitência.
Ambos os jogos utilizam suas estéticas de forma única para transmitir o tema do sofrimento, e isso cria uma conexão profunda com o jogador, que se vê imerso em mundos onde a dor é uma presença constante, mas também uma força motivadora.


Duas Jornadas de Sofrimento e Esperança
Embora Hollow Knight e Blasphemous possam parecer mundos distantes à primeira vista, ambos compartilham a exploração de temas profundos e universais: sofrimento, culpa e a busca por redenção. Cada jogo oferece uma perspectiva única sobre como esses temas podem ser retratados em ambientes desolados, com mundos interconectados, personagens atormentados e uma narrativa que desafia o jogador a refletir sobre suas próprias lutas internas.
No final, essas experiências não são apenas sobre atravessar mundos torturados e vencer inimigos; elas são sobre entender o que está por trás da dor e como, muitas vezes, o sofrimento é o único caminho para encontrar algum tipo de paz ou verdade. Hollow Knight e Blasphemous oferecem duas faces do mesmo conceito: a luta contra a dor interna e a busca por significado em meio ao sofrimento.
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